Dicas de Filmes

2012

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Irisio

Segundo uma profecia maia, daqui a três anos o planeta entrará em convulsão e tudo o que se conhece entre o céu e a terra será aniquilado. Quer dizer, quase tudo, porque, se você é rico e tem alguma influência na sociedade, o governo dará um jeito de salvá-lo para garantir que a espécie perpetue da maneira mais inteligente possível. Agora, se você é desempregado ou pertence ao estilo funcionário público, aproveite bem o tempo que lhe resta, porque o mundo não vai precisar de você depois que não estar mais nada.

Assim é “2012” (“2012”, Columbia, 2009), o novo filme-catástrofe que arrasa bilheterias em todo o globo. Para se ter uma ideia, o longa arrecadou cerca de US$ 225 milhões no terceiro dia de estreia mundial, o que praticamente cobriu o orçamento de US$ 260 milhões dispendido pelo diretor Roland Emmerich. O cineasta alemão assina outras produções no estilo apocalítico, como “Independence Day” (“Independence Day”, Fox, 1996) e “O dia depois de amanhã” (“The day after tomorrow”, Fox, 2004), também com lançamentos furiosos na época.

Tudo começa quando, em 2009, cientistas descobrem que o núcleo da Terra está aquecendo de maneira incrivelmente acelerada. Então, o pesquisador norte-americano Adrian Helmsley (Chiwetel Ejiofor) comunica que, num tempo estimado de três anos, deve ocorrer um desastre natural de proporções gigantescas, que extinguirá os seres vivos. É óbvio que, assim como acontece em todos os filmes do gênero, o cara não recebe a devida atenção. Contudo, a partir do ano 2012, sua teoria passa a ser comprovada e o mundo começa a mergulhar no caos quando, entre outros desastres, a Califórnia é engolida pelo oceano, o vulcão de Yellowstone entra em erupção e vários megatsunamis passam a ocorrer ao longo de cada costa terrestre.

Nesse cenário caótico, o escritor fracassado Jackson Curtis (John Cusack) tenta salvar a ex-mulher Kate (Amanda Peet) e os filhos Noah (Liam James) – se você assistir ao filme verá que é uma referência a Noé – e Lily (Morgan Lilly). Desde a separação, as crianças parecem não se dar muito bem com o pai, o que também é clichê em filmes-catástrofes. A destruição do planeta, então, se transforma numa oportunidade perfeita de Jackson se reconciliar com a família, a exemplo do que ocorre no igualmente apocalíptico “A guerra dos mundos” (“War of the worlds”, Paramount, 2005), quando o personagem de Tom Cruise tenta reaver o amor dos filhos também após um desquite.

Nada de novo, portanto, em “2012”, que também traz o velho e bom presidente (Danny Glover) norte-americano altruísta, disposto a se sacrificar pelo povo. O enredo é basicamente o mesmo visto em “Impacto profundo” (“Deep impact”, Universal Pictures, 1998) e recentemente em “Presságio” (“Knowing”, Paris Filmes, 2009): a humanidade desunida encontra esperança e amor em seu semelhante quando tudo ao redor está ruindo. É claro que histórias assim sempre emocionam. No entanto, a emoção maior parece estar nos efeitos especiais de tirar o fôlego. Explosões, terremotos, erupções vulcânicas e tsunamis prometem sessões intensas de aventura nos quase 160 minutos de filme. Aproveite enquanto é só ficção. Quem sabe se a profecia maia não irá se cumprir?

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