Vilarejos ingleses de puro charme: Clovelly

por: Solange Silberschlag Beglin
Data: 24/09/2016 | 07:50

Foto: S S Beglin / arquivo pessoaltransporte é feito através de carretas e trenós
transporte é feito através de carretas e trenós
Às vezes viajar significa simplesmente deslocar-se a cidades famosas  a fim de apreciar a beleza estonteante de suas construções e  monumentos . Outras vezes, viajar se transforma numa peregrinação espiritual,um regresso pessoal  em busca de paz interior, retornando àqueles lugarzinhos que marcaram na alma ou que deixaram o gostinho de quero mais. A Inglaterra é marcada por vilarejos charmosos, remotos e excêntricos em sua essência, que parecem ter parado no tempo.  Nosso passeio à Clovelly, no finalzinho do verão, foi justamente um retorno às lembranças do passado, rastreando história e sentimentos. Depois de quase vinte anos desde a primeira visita, eu e meu esposo Simon voltamos com a família para relembrar momentos mágicos ali vividos, nos tempos de namoro.

O vilarejo de Clovelly, situado na ponta sudoeste da Inglaterra, parece um cenário de filme,  construído numa colina verdejante com um amontoado de casinhas coloridas debruçadas para o mar cintilante. É um lugar que transpira romantismo!  Clovelly  conta com mais de 400 habitantes e é, na verdade, uma propriedade particular, com cobrança de ingresso aos visitantes. Todos moradores vivem em imóveis alugados pela família proprietária. Desde que foram edificadas  as primeiras construções em 1242, o vilarejo pertenceu a três famílias. Clovelly é famosa por sua  arquitetura antiga e muito bem preservada. As pequenas construções que parecem casinhas de bonecas abrigam pescadores e jovens famílias que não se importam em subir e descer centenas de degraus diariamente seguindo trilhas íngremes para chegar no aconchego do lar.

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalAdorei os detalhes nesta porta
Adorei os detalhes nesta porta

A pequena vila é cortada por  uma rua de pedra e com superfície irregular, cerro a baixo até chegar no mar. Escadas e caminhos estreitos dão acesso às residências mais distantes, espalhadas pela colina verdejante. Depois de comprar ingresso e passar pelo centro de visitação,no alto do morro  somos acolhidos pelo panorama espetacular do vilarejo escondido lá embaixo,  no meio do bosque florescente, curvando-se à imensidão do oceano Atlântico. Impossível não render-se a este espetáculo da natureza. Com a mente polvilhada de lembranças gostosas  vamos lentamente manobrando à pé pela estradinha  sinuosa e desnivelada até chegar no pequeno cais.

Caminho íngreme até chegar no mar

 

A paisagem é contagiante e  inspiradora,  com a maré alta embalando os  barquinhos de pescadores e mais adiante um grupo de crianças se divertindo na água gelada. A vida pacata dos simpáticos moradores é recheada de bate-papo.

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalCrianças se divertindo na água gelada
Crianças se divertindo na água gelada

O dia começa e termina com uma boa pescaria se tornando  atração às dezenas de turistas circulando pelas ruelas. O espírito comunitário prevalece no vilarejo.  Ao longo dos séculos Clovelly inspirou  muitas obras de nomes  famosos no mundo da literatura e artes, entre eles o romancista  Charles Dickens, escritor Charles Kingsley e o  artista  William  Turner, cujo quadro retratando a encantadora  enseada de Clovelly se encontra em exposição do Museu Nacional da Irlanda, em Dublin.  Até hoje a paisagem idílica do vilarejo continua a fascinar artistas de todo mundo.

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalDetalhe do nome da ruazinha que termina no mar
Detalhe do nome da ruazinha que termina no mar
Foto: S S Beglin / arquivo pessoalMeus filhos contando quantos degraus até chegar no mar
Meus filhos contando quantos degraus até chegar no mar

Passear em Clovelly é pura magia. É voltar no passado, naquela época em que as pessoas tinham tempo para conversar!  A vida cotidiana dos moradores nem sempre  é tão simples pois é proibida a circulação de carros  e assim todo transporte é feito através de carretas tipo trenó e às vezes burrinhos de carga para os locais de difícil acesso. Para nós, meros turistas, valeu qualquer sacrifício nas articulações pois  foi um grande privilégio poder retornar a este lugarzinho precioso e recontar aos nossos três filhos um pouquinho da nossa história.

 

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalAntes e depois!
Antes e depois!
Foto: S S Beglin / arquivo pessoalFechando o passeio com uma cervejinha local
Final do dia, degustando uma cervejinha local


 

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PERFIL

Solange Silberschlag Beglin


Há 22 anos morando na Europa com meu marido inglês e nossos três filhos, adoro viajar, renovar conceitos e assimilar novas culturas. Nesta longa trajetória já morei em Roma durante quatro anos e meio, dois anos na Líbia, quatro anos em Paris, dois anos em Minsk, capital da Bielorússia, e atualmente moro em Londres. Na terra da rainha Elizabeth estão as raízes da nossa família. Entre uma mudança e outra, ao longo dos anos a bagagem cultural foi aumentando e enriquecendo a alma. Vou contar um pouco aqui neste blog justamente sobre as diferenças culturais, estilo de vida e tradições do velho continente. Vou relatar minhas viagens, sempre com várias dicas, assim como fatos interessantes e pitorescos da vida cotidiana na Europa. Viaje comigo e compartilhe aqui também a sua experiência!

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