Colégio interno na Inglaterra

por: Solange Silberschlag Beglin
Data: 05/03/2017 | 06:33

 

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalLagos e jardins lindissimos no Colégio Stowe
Lagos e jardins lindissimos no Colégio Stowe

Enquanto no Brasil a criançada está voltando  às aulas  depois das férias de verão, por aqui  os alunos  já cursaram mais da metade do currículo,   pois o ano letivo no continente europeu começa em  setembro e vai até junho/julho. Em setembro de 2013 nossa filha mais velha, Victoria, iniciou no colégio interno de Stowe, da rede de ensino particular e situado no condado onde moramos aqui na Inglaterra. Ela tinha apenas 13 anos e estava embarcando numa experiência jamais vivida: estudar em regime de internato. A decisão de mandá-la para um colégio interno não foi  simples principalmente para o coração da mãe aqui, que nunca imaginou largar os filhos para serem educados longe de casa. Depois de muita reflexão e conversas em família  analisamos  os pros e contras do sistema e fomos guiados pela própria vontade da Victoria, ávida e pronta para abraçar as novas oportunidades que a escola lhe ofereceria.

 

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalConstruções históricas no Colégio Stowe
Construções históricas no Colégio Stowe

 

E agora em sua reta final frequentando os dois últimos anos de ensino médio não temos dúvidas da nossa decisão.  Em setembro de 2015 foi a vez do nosso guri, Patrick,  se unir à irmã mais velha começando igualmente seus estudos no Colégio Stowe. Ele também, aos 13 anos, estava pronto para iniciar uma nova etapa na carreira de estudante  e entusiasmado  em  aproveitar todas oportunidades acadêmicas e esportivas que a escola proporcionaria.  E assim meus filhos mais velhos seguem um modelo de educação tradicional (para não dizer  tão diferente do brasileiro), passando boa parte da vida escolar  longe da família.

 

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalColégio Stowe abrigada meninos e meninas de 13 a 18 anos
Colégio Stowe abrigada meninos e meninas de 13 a 18 anos

 

O Colégio Stowe foi fundado em 1923, inicialmente uma escola só de meninos e mais tarde no final dos anos 60 passou a aceitar alunos do sexo feminino. Para quem está acostumado às escolas de arquitetura moderna no Brasil é quase um choque conhecer os colégios internos aqui na Inglaterra.  São verdadeiros tesouros culturais. A arquitetura original de Stowe, por exemplo, remonta ao final do século XVII. Um colégio marcado por prédios históricos, que mais parece palácio real! Localizada no meio de um  parque gigantesco, rodeada  por  lagos e jardins encantadores, a escola conta com cerca de 820 alunos (meninos e meninas) entre 13 e 18 anos que frequentam sete aulas por dia, de segunda-feira a sábado, em turmas niveladas de acordo com o desempenho de cada aluno. Os alunos permanecem na escola em regime de internato durante o ano acadêmico, podendo voltar para casa aos domingos e a cada três semanas quando passam de sexta-feira à domingo com família, além das férias que são bem mais longas do que o sistema de ensino do governo. No total são 19 semanas de férias durante o ano letivo! (8 semanas no verão em julho e agosto, duas em outubro, três no Natal, uma em fevereiro, quatro na Páscoa e um semana em maio). O campus do Colégio Stowe é  praticamente uma minicidade, escondida entre árvores centenárias e campos de pastagem.

 

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalArquitetura do prédio principal da escola remonta ao século XVII
Arquitetura do prédio principal da escola remonta ao século XVII

 Neste enorme  conjunto arquitetônico encontram-se blocos de estudos, salas de aulas, laboratórios de ciências, arte e design, teatro, auditório, clínica médica, igreja, lojinha de conveniência, residência dos alunos e professores, complexo esportivo com ginásio e piscina térmica, centro equestre e muitas quadras esportivas. Os estudantes caminham alguns quilômetros todos os dias para chegar à sala de aula e locais de atividades diversas.  A acomodação dos alunos se dá através de casas espalhadas pelo grande parque, treze no total e divididas por sexo. Em cada casa moram entre 60 e 65 alunos, em grupos por idade, de acordo com o ano que frequentam. A cada ano, quando o grupo mais velho se forma e deixa a escola, outro, de 15/16 novatos, inicia a rotina na casa aos 13 anos, seguindo regras rígidas, tantas regras! Existe uma hierarquia muito grande no sistema interno das casas, por exemplo quando meu filho iniciou no primeiro ano,  o uso de celulares e tablets era controlado, somente algumas horas à noite. Agora já frequentando o segundo ano, conhecedores das inúmeras regras internas, e escalando na hierarquia da casa, é dada mais autonomia ao grupo com a concessão de privilégios, entre eles uso prolongado de eletrônicos e saídas com ônibus da escola ao fim de semana.  Cada casa possui um(a) diretor(a) e  um(a) assistente que moram juntos com os alunos e uma governanta que praticamente faz o papel de mãe, cuidando de cada aluno, principalmente os mais novos. Um fator peculiar aos internatos é a competição acirrada entre as casas. Durante todo ano acontecem competições acadêmicas e esportivas entre as casas, fora do currículo de ensino, mas que são tão importantes quanto as notas dos exames em sala de aula pois no final do ano uma casa de cada sexo é coroada com o cobiçado troféu de melhor casa!

 

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalEducação em colégio interno faz parte da cultura britânica
Educação em colégio interno faz parte da cultura britânica

 

 

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalVictoria com as colegas de aula e casa, Kira e Georgia
Victoria com as colegas de aula e casa, Kira e Georgia

 

Ao caminhar pelo colégio a impressão é de estar num campus universitário, com edifícios muito bem estruturados abrigando cada departamento de ensino.   A maioria dos professores  é especialista na matéria que ensina e residente no complexo escolar. O regime de internato como forma de ensino  sempre me pareceu assustador. A ideia de 'entregar' os filhos a uma instituição para que fossem educados e moldados nunca teve grande apelo ao meu coração de mãe. No entanto, depois de visitar vários estabelecimentos  e me informar sobre este tipo de ensino, percebi que o sistema não condizia com meus conceitos equivocados. Que os métodos difundidos nada tinham a ver com o regime militar que eu imaginava. Que a prisão ideológica pressuposta em filmes e seriados de antigamente não se materializava na realidade do século XXI. E que de fato, a educação em colégio interno britânico é um privilégio.   

 

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalColégio Stowe foi fundado em 1923
Colégio Stowe foi fundado em 1923

 

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalPatrick prestará exames de GCSE em 2018
Patrick prestará exames de GCSE em 2018

De manhã cedinho, caminhando nas trilhas entre árvores centenárias entre uma casa de estudante e outra, grupos de alunos  iniciam mais um dia no Colégio Stowe. Vestinho uniforme completo, ou seja  traje obrigatório que consiste de terno e gravata para os meninos e tailler (saia ou calça) para as meninas, eles se espalham pelo conjunto arquitetônico do colégio interno, carregando fichários e livros didáticos, em direção às salas de aula e laboratórios. De maneira geral, a rotina nos colégios internos é praticamente a mesma em todo país, dividida entre atividades acadêmicas, esportivas e pastorais.   Já nos primeiros dias de aula, os jovens de 13 anos, muitas vezes apreensivos por ser talvez a primeira vez a morar longe de casa, aprendem rapidamente as regras do regime de internato e quando se formam aos 18 anos, são adultos independentes com aprendizado e bagagem cultural que vão muito  além do conteúdo  estudado  em sala de aula. Disciplina é a palavra chave nos colégios internos. 

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalAlunos estudam em regime de internato, morando em casas espalhadas em torno da escola
Alunos estudam em regime de internato, morando em casas espalhadas em torno da escola
Foto: S S Beglin / arquivo pessoalChatham House abriga cerca de 60 meninos
Chatham House abriga cerca de 60 meninos

O ensino na escola secundária é dividido em dois ciclos. Dos 13 aos 16 anos os alunos seguem currículo em preparação para os exames nacionais de GCSE (Certificado de Ensino Médio) que são obrigatórios para os alunos do 11º  ano, em todo país.  Os GCSEs abrangem as matérias básicas e obrigatórias,  ou seja inglês, matemática, biologia, física e química além de  outras disciplinas que o próprio aluno escolhe aos 13 anos, entre elas história, geografia, língua estrangeira, artes, tecnologia e design, ensino religioso, e tantas outras de acordo com o programa da escola frequentada.  Minha filha Victoria prestou provas de GCSE em junho passado e no ano que vem será  a vez do meu filho Patrick realizar os exames finais. Depois de prestar as provas nacionais e de acordo com os resultados obtidos, os alunos seguem os estudos no ciclo avançado (A level), dos 16 aos 18 anos, equivalente aos últimos dois anos do ensino médio no Brasil. No final do curso de A Level os alunos prestam exames nacionais que são determinantes para seguir no ensino universitário.

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalPatrick iniciou no Colégio Stowe em 2015
Patrick iniciou no Colégio Stowe em 2015
Foto: S S Beglin / arquivo pessoalVictoria no seu quarto
Victoria no seu quarto

Os estudos são intensificados no curso de A level, com aulas aprofundadas  e escolha de apenas quatro ou cinco matérias, de acordo com a preferência do estudante e carreira que pretende seguir. Nos colégios internos as classes são pequenas, no máximo dez alunos, e niveladas de acordo com o desempenho, incentivando assim o desenvolvimento acadêmico do aluno. Desde setembro a Victoria está estudando química, biologia, matemática e espanhol com oito aulas semanais de cada disciplina e estudo fora do curriculo na área  de pesquisa. O objetivo dela é seguir pesquisa científica a nível universitário e assim seu trabalho na escola é focado na pesquisa e muitos trabalhos fora da sala de aula. O dia a dia no colégio  interno é pleno de trabalho, trabalho duro, com aulas de segunda-feira a sábado, atividades esportivas diárias  e muito dever de casa. São pelo menos duas horas de tema para os alunos do curso de GCSE, a partir das 17h30min  e três horas para os estudantes do ensino médio.

Dever de casa é considerado tão importante quanto os resultados das provas semanais, no final de cada tópico . E para aqueles que não entregam o tema em dia são estipuladas penalidades. Quem atrasa com a lição de casa tem que acordar uma hora mais cedo no outro dia para realizar exercício extra na matéria. E para aqueles que chegarem na aula atrasados vale a mesma multa! E assim os jovens estudantes aprendem rapidamente  a serem pontuais e  responsáveis, se esmerando no aprendizado. É verdade, entretanto, que depois do árduo trabalho, nas horas vagas, não faltam atividades de descontração para os jovens estudantes. Fora das aulas de educação física os alunos podem escolher entre modalidades  esportivas, como basquete, pólo áquatico, canoagem, equitação, pingue-pongue entre tantas outras. Desde cedo os alunos aprendem a viver em comunidade, respeitando as diferenças. A vida na comunidade escolar continua com atividades nas repúblicas de estudantes.

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalA caminho da sala de aula
a caminho da sala de aula ...

 As refeições dos alunos são realizadas no restaurante do colégio, construído no saguão da mansão principal, permeado pela decoração neoclássica do teto e paredes adornadas  e com  janelas enormes que se abrem para a natureza abundante lá fora. No cardápio, pratos para satisfazer gostos de todo mundo, entre cozinha tailandesa, mexicana, indiana e até mesmo inglesa, com o típico fish and chips (peixe empanado com batata frita)! Quando os alunos não estão estudando ou praticando algum esporte,  o ponto de encontro nas sextas e aos sábados à noite (somente alunos do ensino médio) é no barzinho da escola ou na balada no salão do colégio,  aos fins de semana . Diversão garantida! Afinal de contas, depois de tanto estudo  eles merecem um pouco de descontração!

 

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalFamília reunida no encerramento do ano letivo em junho 2016
Família reunida no encerramento do ano letivo em junho 2016

 

 

Volta ao passado na mansão de Basildon Park

por: Solange Silberschlag Beglin
Data: 20/02/2017 | 17:44

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalMansão rural no interior da Inglaterra
Mansão rural no interior da Inglaterra. Muitas famílias inglesas curtindo as férias de fevereiro

Durante o recesso escolar em todo Reino Unido aproveitamos para curtir com a família um pouco do interior do país. E assim passamos um dia semana passada no parque de Basildon para visitar a belíssima  mansão rural de mesmo nome, situada   a 100km de Londres no condado de Berkshire, oeste da capital. Não importa a estação do ano, passear pelo interior da Inglaterra significa se deslumbrar com vilarejos encantadores, monumentos e tantos palácios rurais.  Nesta semana ainda marcada pelo frio europeu, fomos descobrir mais um tesouro inglês.  O valioso legado arquitetônico e passado riquíssimo do país  está escrito justamente nas mansões construídas  séculos atrás  e que continuam a ostentar  um pedaço da história do país. Por aqui, também, a história é respeitada e muito bem preservada. Nada se destroi e tudo se conserva! A Inglaterra vai muito além de Londres, por isso sempre recomendo aqueles que estão vindo visitar a capital para se aventurar  pelo interior a fim de descobrir a essência britânica, deixando-se levar pelo charme e tranquilidade da vida rural.

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalDecoração interior neoclássica no hall de entrada
Decoração interior neoclássica no hall de entrada

Basildon Park é um desses lugares, bem escondido, cercado por campos e simplesmente deslumbrante.   Antes mesmo de chegar neste esplêndido palácio rural já estamos saboreando o ar campestre do interior, acolhidos por paisagens cativantes de campos repletos de ovelhinhas pastando e recortados por arroios  de água límpida. A Inglaterra é conhecida por suas mansões, palácios e castelos históricos. Tudo começou há muito tempo! Algumas construções remetem a inúmeros  séculos passados, antes mesmo de o Brasil ser descoberto. Durante os anos de 1700 e  1800 a nobreza britânica vivia o auge do grande império e aventuras a outros territórios  em busca de inspiração artística e filosófica eram comuns entre os jovens aristocratas. Nesta época foram construídas muitas mansões  requintadas,  as famosas casas de campo,  onde  sociedade aristocrata e nobreza  recebiam  amigos e convidados ilustres  para grandes banquetes e se deliciavam com passatempos típicos da época,  entre cavalgadas,  caça e pesca.

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalAchei uma grança esses banquinhos espalhados pelas trilhas em torno da mansão
Achei uma grança esses banquinhos espalhados pelas trilhas em torno da mansão

Por todo canto do país encontram-se  mansões construídas em estilo neoclássico  que  demonstravam  poder na época,  denotando ainda uma  resposta arquitetônica antibarroca. Estes palácios rurais eram decorados  de maneira tal a ostentar o conhecimento e riqueza adquiridos  durante as viagens ao exterior. Objetos de arte raros, porcelanas, quadros, estátuas, tapeçarias e móveis eram trazidos de outros rincões para ornamentar as nobres residências  e podem ser contemplados até hoje. Justamente entre 1776 e 1783  foi edificada a mansão de Basildon no meio do campo, num parque gigantesco de 162 hectares  esboçando arquitetura georgiana com fachada palladiana.

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalFachada frontal
Fachada frontal

A mansão tem história turbulenta e chegou a ser fechada durante um período devido ao alto custo de manutenção e falência dos proprietários.  Projetada pelo arquiteto John Carr, inicialmente perteceu à família Sykes mas mais tarde com o declínio financeiro dos herdeiros foi adquirida por James Morrison. No começo de 1900 o magnífico palácio rural foi praticamente abandonado até  1950 quando retornou a seu estado de glória nas mãos da nobre família Iliffe. Ao longo dos anos  a edificação sobreviveu às intempéries, com  várias restaurações e mudanças, passando por vários proprietários  e hoje em dia é administrada pela   Fundação Nacional de Patrimônio Público (National Trust), organização britânica  não governamental responsável pela conservação do patrimônio histórico do país.

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalBiblioteca
Biblioteca

Desde 1976 a propriedade foi doada pela família lliffe à Fundação  para restauração e conservação. E assim o parque e a mansão permanecem abertos  ao público  durante todo ano sob direção da Fundação e seus milhares de voluntários, na maioria aposentados que dedicam algumas horas por semana trabalhando gratuitamente como  zeladores e guias  de monumentos, mansões,  palácios e castelos mantidos pela entidade. Este sistema de parceria entre a  fundação National Trust  e herdeiros de famílias aristocratas é muito comum aqui, preservando a história  ao mesmo tempo que privilegiando o público em geral com a oportunidade de conhecer locais  que definem a cultura britânica.

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalMesa feita!
Mesa feita!

Ao entrar na mansão de Basildon  somos acolhidos  por duas simpáticas  senhoras aposentadas  e que prontamente  nos contam um pouquinho  da história de cada aposento. O teto alto e trabalhado em linhas curvas e delicadas logo no hall de entrada é uma pequena mostra da decoração interior rica de detalhes que está por vir nos outros cômodos. Pelas paredes ornamentadas por quadros de pintura a óleo e espelhos reluzentes  vamos nos perdendo na imensidão  histórica que cada aposento retrata. A impressão é de estar caminhando num cenário de filme de época transpirando o ar de grandeza e opulência desta gloriosa mansão.

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalSalao octogonal
Salao octogonal

Por falar em cinema, a mansão de Basildon já foi cenário de  muitos filmes de época, entre eles  Orgulho e Preconceito (2005), Marie-Antoniette (2006) e Dorian Gray (2009).  As filmagens mais famosas, no entanto, ficam por conta da série Downton Abbey  que conquistou milhões de fãs pelo mundo e faturou vários prêmios, onde o interior da mansão Basildon serviu de cenário como residência londrina da família Grantham. Para os fãs de Downton Abbey (e eu, com certeza engrosso a lista!) a visita à mansão de Basildon é ainda mais fascinante pois é como se estivesse assistindo à saga da família ao vivo e a cores, como um personagem da série.

Da biblioteca recheada de enciclopédias e clássicos da literatura britânica ao maravilhoso salão de jantar com a mesa pronta, impecável, à espera dos ilustres convidados somos absorvidos pela decoração esplendorosa  de cada cômodo.  E o deslumbre continua na sala de estar octogonal, toda revestida de papel de parede vermelho e decorada com  móveis antiguíssimos reluzindo nos cristais do imenso lustre pendurado no teto de oito cantos e todo adornado.

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalSalao verde
Salao verde

No  segundo andar da mansão encontram-se os quartos decorados a rigor, com cores vibrantes e camas de dossel, tudo muito bem preservado. A paisagem natural em torno da mansão de Basildon  é testemunha de seu  passado rural e bucólico, marcada por campos pastoris e ao fundo o rio Tâmisa,  convidando os visitantes a caminhar pelo parque enorme. E foi justamente isso que fizemos, ao lado de tantas outras famílias que também visitavam o local, explorando cada cantinho no meio do verde. 

Foto: S S Beglin / arquivo pessoallonga caminhada nesta tarde de inverno europeu
longa caminhada nesta tarde de inverno europeu

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalE o chimarrão sempre nos acompanhando, mundo afora!
E o chimarrão sempre nos acompanhando, mundo afora!

 

 

Jardins no céu de Londres!

por: Solange Silberschlag Beglin
Data: 15/02/2017 | 17:13

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalPanorama dos prédios modernos de Londres que há 20 anos não existiam ...
Panorama dos prédios modernos de Londres que há 20 anos sequer existiam ...

Aqui estou eu, de volta aos jardins no céu de Londres! E claro, maravilhada! Sky Garden, ou jardim no céu, é uma das atrações mais recentes de Londres.  É ainda desconhecido do turismo de massa, no coração da city, aberto há dois anos e  localizado no alto do prédio Walkie Talkie, assim chamado pelo seu formato de radinho. Ao considerar minhas  mudanças , morando em diferentes países, Londres, para mim, continua sendo a melhor capital da Europa. Aliás, arrisco em dizer que esta metrópole com quase nove milhões de habitantes, é o melhor lugar do mundo para se viver e conhecer, é claro! Desde o início, logo que vim morar em Londres  para estudar inglês lá no início da década de 90, fiquei deslumbrada com a beleza estonteante da capital britânica. Foi durante um verão bem inglês, de dias longos mas não necessariamente quentes para uma brasileira recém chegada dos trópicos, que me imaginei - pela primeira vez - vivendo feliz longe da minha terra.

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalBar com vista p o Shard
Bar com vista p o Shard

Os anos foram passando e a paixão só aumentando. Formei minha família, nunca mais voltei a morar na minha terrinha, e aqui continuo em pleno 2017, tão maravilhada quanto a primeira vez, curtindo os suspiros londrinos. Já comentei várias vezes aqui no blog sobre este fascínio incandescente de Londres. A capital britânica é clássica e majestosa, destacando o novo e o velho com grande maestria, através de atrações históricas e arquitetura moderna. Desde a minha chegada, há duas décadas, tenho visto de perto o panorama londrino mudando muito, com arranha-céus despontando entre construções de séculos passados. Em 1994, era necessário subir na torre em homenagem ao grande incêndio de Londres, chamada Monumento, para se ter uma visão do horizonte londrino. Hoje em dia, o Monumento fica anão perto dos grandes prédios que surgiram em torno da capital. No entanto, a arquitetura londrina continuar a brilhar, com novo e velho, lado a lado, sem ofuscar a originalidade  de cada construção.

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalNovo e velho, lado a lado! A direita o prédio Walkie Talkie
Novo e velho, lado a lado! A direita o prédio Walkie Talkie

Esta harmonia singular entre arquitetura moderna e antiga é envolvente,  mantendo a identidade da cidade  ao mesmo tempo que  abraça o futuro com projetos arquitetônicos arrojados. E assim, bem no meio do bairro marcado por prédios empresariais, abrigando escritórios e salas de conferências, na rua Fenchurch, encontra-se mais um bloco de salas empresariais.  No alto do arranha-céu, entretanto,   o sky garden esboça um pedacinho de natureza encapsulada entre paredes envidraçadas. Uma plataforma magnífica com jardins exóticos e que proporciona vista espetacular de toda Londres.

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalVista do Shard, arranha céu mais alto da Europa
Vista do Shard, arranha céu mais alto da Europa
Foto: S S Beglin / arquivo pessoalTower Bridge. Londres na palma da mão
Tower Bridge. Londres na palma da mão

Ao chegar no  35º andar, diretamente do térreo, sem parada alguma no elevador, é gente suspirando por todo lado! A sensação é de estar pisando nas nuvens, nas alturas, com Londres na palma da mão. Um sonho! O primeiro prédio a ser avistado, é o Shard, outra construção moderna (a mais alta da Europa) que delineia o horizonte londrino.

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalJardins surpreendem pela quantidade de arbustos tropicais
Jardins surpreendem pela quantidade de arbustos tropicais

Estamos à 155 metros de altura caminhando entre arbustos tropicais, samambaias de todos tipos, folhagens exóticas, lírios africanos, estrelítzias, lírios-tochas e tantas outras espécies florais plantadas em aclive no terraço do prédio. Destaque maior fica por conta do panorama da capital britânica como pano de fundo dos canteiros internos. É  impossível não se maravilhar nesta cobertura gigantesca.  Mesmo para aqueles que não curtem jardins de inverno, recomendo a visita pela magnitude da paisagem lá fora. Simplesmente de tirar o fôlego, contemplando as altura de Londres!

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalLondon Eye ao fundo
Big Ben e London Eye  

E melhor ainda, a entrada é gratuita! Entretanto é necessário agendamento online (mais informações no final do post).  O local abriga dois restaurantes (brunch maravilhoso aos fins de semana, reserva obrigatória) e dois  bares, enormes, onde não é necessário fazer reserva, muito bacana, com magnífica vista para o Shard e rio Tâmisa se curvando em forma de serpente, passando pela Tower Bridge e distrito financeiro de Canary Wharf. Vale à pena sentar numa das tantas mesinhas e sofás para degustar um cafezinho, ou drinque especial, contemplando os ícones londrinos lá embaixo.

 

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalPor falar em cafezinho... acompanhado de um bolinho de limão?
Por falar em cafezinho... acompanhado de um bolinho de limão?
Foto: S S Beglin / arquivo pessoalOlha eu ai, fazendo pose!!!!!
Olha eu ai, fazendo pose!!!!!

ENDEREÇO - 20, Fenchurch Street, London, EC3M 8AF

 HORÁRIO - Segunda a sexta das 10 às 18h. Fim de semana das 11 às 21h. ENTRADA GRATUITA (com agendamento)

COMO CHEGAR - metrô linha amarela Circle Line ou verde District Line, estação  Monument.

 AGENDAMENTO - pode-se fazer reserva com três semanas de antecedência para visitar os jardins diretamente no site  www.skygarden.london/plan-your-visit . Entrada gratuita. Mas existe também a possibilidade de agendar diretamente na porta, na chegada, das 7h às 10h (11h no fim de semana)  e depois das 18h (somente adultos, acima de 16 anos). É necessário documento de identidade para o agendamento. Eu fui sem reserva, pela manhã, e não enfrentei fila. Prepare-se, no entanto, para passar bolsa e pertences pessoais no raio X. A segurança é rigorosa. Depois disso é só entrar no elevador e sentir-se flutuando no céu londrino!

 

 

 
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Solange Silberschlag Beglin


Há 22 anos morando na Europa com meu marido inglês e nossos três filhos, adoro viajar, renovar conceitos e assimilar novas culturas. Nesta longa trajetória já morei em Roma durante quatro anos e meio, dois anos na Líbia, quatro anos em Paris, dois anos em Minsk, capital da Bielorússia, e atualmente moro em Londres. Na terra da rainha Elizabeth estão as raízes da nossa família. Entre uma mudança e outra, ao longo dos anos a bagagem cultural foi aumentando e enriquecendo a alma. Vou contar um pouco aqui neste blog justamente sobre as diferenças culturais, estilo de vida e tradições do velho continente. Vou relatar minhas viagens, sempre com várias dicas, assim como fatos interessantes e pitorescos da vida cotidiana na Europa. Viaje comigo e compartilhe aqui também a sua experiência!

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