Um mergulho no tempo, conhecendo o palácio de Charlecote

por: Solange Silberschlag Beglin
Data: 17/10/2017 | 16:12

O interior da Inglaterra é recheado de mansões e palácios rurais, escondidos no meio do verde, entre vilarejos de estradas estreitas, arvoredo abundante e campos infinitos. Nestes pequenos rincões encontra-se a essência rural da cultura britânica. O passado requintado  e  principesco  do império britânico pode ser comprovado até hoje, ao vivo e a cores, através de monumentos,  castelos e palácios espalhados por todo canto do país.  Historicamente a monarquia britânica manteve acesa a chama imperialista colonizando numerosos territórios. O império britânico chegou a ser o maior da história e, por mais de um século, fora  a principal potência mundial.  Este  legado arquitetônico do grande império continua a fulgir pelo  interior do país com inúmeras mansões rurais e palacetes de época.

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalPalácio está localizado no condado de Warickshire
Palácio está localizado no condado de Warickshire
Foto: S S Beglin / arquivo pessoalImagina um jantar a luz de velas... numa noite gelada do inverno inglês...
Imagina um jantar a luz de velas... numa noite gelada do inverno inglês...

Muitos continuam nas mãos das famílias aristocráticas, sem acesso ao público, mas centenas de outras nobres residências se transformaram em pontos turísticos, ou hoteis, e podem ser facilmente visitadas. Tradicionalmente as famílias da nobreza britânica construiam prodigiosas mansões  no meio do campo para receber convidados  importantes,  herdeiros e membros da realeza, principalmente durante o fim de semana.

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalPórtico remonta ao século XVI
Pórtico remonta ao século XVI
Foto: S S Beglin / arquivo pessoalJardim vistoso em torno do palácio
Jardim vistoso em torno do palácio

O palácio de Charlecote é um desses lugares recheado pela  história fascinante da aristocracia britânica. Localizado no coração da Inglaterra, no condado de Warwickshire, à 150km de Londres e apenas 9km de Stratford-upon-Avon,  cidade onde nasceu  William Shakespeare,  o palácio exala sofisticação. Um clássico exemplo da bonança e excentricidade de outros tempos, exuberante em sua fachada envolta na magnífica arquitetura tudoriana.  Construído no meio de um parque gigantesco de 75 hectares e recortado  pelas águas do rio Avon, o palácio remonta ao século XVI e desde então pertence à família Lucy.

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalAdoro
Adoro "viajar no tempo" contemplando cada detalhe da decoração interior

O interior do palácio é uma verdadeira viagem no tempo, redecorado no estilo vitoriano e repleto de mobília antiga,  pinturas e retratos da família,  objetos e artefatos colecionados durante  viagens dos séculos passados.   Em cada aposento pequenos detalhes nos transportam ao mundo da nobreza inglesa e  por alguns instantes nos sentimos protagonistas do seriado  Downton Abbey ou The Crown!

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalquanto detalhe!
quanto detalhe!
Foto: S S Beglin / arquivo pessoalBiblioteca, sempre um dos cômodos preferidos
Biblioteca, sempre um dos cômodos preferidos

Nesse festival de riquezas pessoais,  mobiliário, , esculturas, porcelanas, instrumentos de música,tapeçaria e obras de arte vamos penetrando no passado da família Lucy. Uma aula de história, ao vivo! Pois nenhum período da história inglesa é tão glorificado como o da dinastia Tudor (1485-1603). Nesta época (que precede o descobrimento do Brasil!), a monarquia inglesa revelava a hegemonia  da corte de Henrique VIII. Durante este período da história aconteceu a tradução da Bíblia para o inglês e a consequente legitimação do idioma.  A criação da  Igreja Anglicana e desenvolvimento do Parlamento se deu sob o commando de Henrique VIII assim como a criação do Reino Unido após  o reinado de sua filha Elizabeth I, última monarca Tudor.

Foto: S S Beglin / arquivo pessoaljardim maravilhoso nos fundos do palácio
jardim maravilhoso nos fundos do palácio

O palácio de Charlecote  fez parte da explosão de criatividade da literatura do período, epitomizada por William Shakespeare. O poeta morava bem perto do parque de Charlecote e acredita-se que gostava de caçar, ilegalmente, na propriedade. Reza a história que Shakespeare foi pego caçando cervos e forçado a fugir para Londres a fim de evitar condenação.  Mais tarde o jovem dramaturgo  vingou-se numa de suas  peças de teatro, satirizando  a família Lucy. São tantas histórias bem guardadas neste esplêndido palácio rural.

Vista lateral do palácio com as torres elisabetanas bem identificadas

Além dos salões de festas e cômodos pode-se ainda visitar a cozinha, completa e em funcionamento com funcionárias vestidas como criadas preparando bolinhos ingleses. Em outra construção do lado de fora do palácio, encontra-se a lavandaria e fábrica de cerveja e cidra, conservada como na era tudoriana. O passeio se completa pelos lindos jardins em torno da mansão e  longa caminhada pelo parque avistando cervos campo afora. O interior da Inglaterra é simplesmente encantador . Entre palacetes rurais e paisagens bucólicas estamos sempre aprendendo mais um pouquinho sobre a história deste país cativante.

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalvolta ao tempo!
volta ao tempo!
Foto: S S Beglin / arquivo pessoalHall de entrada imponente, como manda o figurino
Hall de entrada imponente, como manda o figurino

 

 

Vilarejo inglês de puro charme: Lower Slaughter

por: Solange Silberschlag Beglin
Data: 31/08/2017 | 19:13

Cotswolds, a Inglaterra dos sonhos

 

O interior da Inglaterra é  recheado de história, tradição, sonhos e magia. Dos castelos imponentes e mansões rurais deslumbrantes aos cottages encantadores que permeiam a paisagem verdejante de campos pastoris. Um mergulho nos outros tempos é garantido! A região dos Cotswolds, localizada à 160km de Londres, é bem assim: histórica e plena de charme,  mantendo seus traços rurais, paisagens bucólicas e cidadezinhas que escaparam o  grande desenvolvimento urbano.

Esta é a Inglaterra dos sonhos!

Este distrito bem no coração da Inglaterra é caracterizado por paisagens idílicas e um emaranhado de vilarejos cativantes  com casinhas antigas, pubs, casas de chá, lojinhas e antiquariados espalhados pelas ruelas antigas.Historicamente a região dos Cotswolds se destacou como pólo da indústria de lã de ovelha, pela posição geográfica central e pastagem abundante. E assim, é quase certo que em cada cidadezinha encontraremos uma rua denonimada Sheep Street (Rua das Ovelhas)!  Para conhecer a verdadeira Inglaterra é preciso, justamente, aventurar-se pelo interior, recortando estradinhas sinuosas  e descobrindo rincões preciosos escondidos entre suaves colinas  e riachos de água límpida. Seguidamente passeamos pela região dos Cotswolds  para visitar familiares  do meu marido e no último fim de semana aproveitamos para dar uma escapada romântica  ao vilarejo de Lower Slaughter.

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalcharme e tranquilidade ...
charme e tranquilidade ...

Uma cidadezinha minúscula, com população de pouco mais de  250 pessoas. À primeira vista, o nome 'Slaughter' (no inglês moderno:  abate/matança) parece assustador  mas se refere, na verdade, a pantanal ,  cujo significado origina-se na grafia arcaica da língua. Pantanal, no entanto,  está bem longe de descrever este precioso lugar! Lower Slaughter aparece com frequência na lista de vilarejos mais lindos e românticos da Inglaterra. E com toda razão! A paisagem que reveste a cidadezinha é digna de cartão postal.  Um emaranhado de casinhas típicas, construídas em pedra cor de mel, formam um cenário dos sonhos.

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalvilarejo parece ter saido de um conto de fadas!
vilarejo parece ter saido de um conto de fadas!
Foto: S S Beglin / arquivo pessoaladorei! cesto de sachês de lavanda à venda na frente da casa, com cofrinho do lado para o pagamento
adorei! cesto de sachês de lavanda à venda na frente da casa, com cofrinho do lado para o pagamento

Ao passear pela minúscula aldeia a sensação é de estar voltando no tempo, numa passarela romântica,  como se estivesse vivendo um conto de fadas.  Acrescentam-se ai as águas plácidas do córrego cristalino que corta  o vilarejo  e as pontezinhas antigas  ligando um lado ao outro, e estamos imersos numa fábula! Lower Slaughter é puro encanto, um lugar perfeito para passear sem pressa, curtindo o ócio, sem culpa. Não tem um lugar específico para se visitar, pois o passeio como um todo é encantador e gratificante.

A atração principal é o próprio vilarejo, transpirando serenidade com arquitetura que remete aos séculos passados. Pouco mudou desde a primeira construção há mais de quinhentos  anos. No moinho usado para  tecelagem, viajamos rapidamente ao período  em que a região simbolizava progresso na indústria de lã. Tudo ainda muito bem preservado, embora o local hoje em dia tenha sido transformado em museu, com uma lojinha e café.  Mais adiante, percorremos a ribeirinha do riacho até chegar na belíssima igreja St Mary com construção original que remonta ao século XIII.

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalantigo moinho de tecelagem
antigo moinho de tecelagem
Foto: S S Beglin / arquivo pessoalLojinha de souvenir não pode faltar!
Lojinha de artesanato

Visitar  Lower Slaughter  é um mergulho  no passado vivendo a essência do jeito britânico em sua simplicidade e despretensão. É caminhar devagarinho, suspirando e absorvendo  o charme acolhedor dos casarios antigos refletindo no riacho de águas límpidas. É deixar-se deslumbrar  pelo encanto dos graciosos jardins,   sem sentir o tempo passar, digerindo o sabor adocicado da primavera. Um passeio tranquilo, para relaxar, para lavar a alma,  bem longe do burburinho dos centros urbanos. Durante séculos a região dos Cotswolds inspirou artistas, escritores e poetas e continua até hoje fascinando a todos que se dispõem à visitá-la.

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalolha eu ai!
olha eu ai! fazendo pose....

 

COMO CHEGAR - melhor maneira é de carro. Lower Slaughter está situada bem pertinho de Bourton-on-the-Water, a Veneza dos Cotswolds, e também de Stow-on-the-Wold.

 

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalriacho recorta o vilarejo
riacho recorta o vilarejo
 

Covent Garden, história e diversão no coração pulsante de Londres

por: Solange Silberschlag Beglin
Data: 27/06/2017 | 15:54

Covent Garden, no coração pulsante de Londres

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalpubs históricos em Covent Garden
pubs históricos em Covent Garden

Entre meandros históricos emoldurados por palacetes de outros séculos, o coração pulsante de Londres acelera a batida no bairro de Covent Garden. Esta região bem no centro da capital britânica é caracterizada pelos ares boêmios de outros tempos. Um territórico ardente, centro de comércio e tumulto filosófico durante os séculos XVII e XIX. Um distrito de barulho e prazer, cuja história marcante se percebe ainda hoje pelas ruas estreitas do bairro. Em 1630 foi construída a primeira praça pública da Inglaterra na zona residencial de Covent Garden e assim o local se transformou num  empório de comércio e feira de produtos hortifrutigranjeiros.

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalCovent Garden era um grande mercado de frutas e verduras
Covent Garden era um grande mercado de frutas e verduras

Com o grande incêndio de 1666 que destruiu boa parte do centro londrino, Covent Garden se tornou  no mercado público de frutas, legumes e flores mais importante do país, oferecendo mercadoria exótica e produtos  provenientes de todo o mundo, que chegavam de barco pelo rio Tâmisa. Sua história de sucesso como feira de legumes e flores perdurou até 1974 quando o mercado foi transferido para outra zona de Londres, com infraestrutura maior e melhor a fim de abrigar a demanda dos tempo modernos. As origens de Covent Garden como empório comercial, na verdade, remontam ao século VI quando o local era conhecido como a vila mercantil de Lundenwic e usado para escambos nos tempos de domínio dos saxões.

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalPavilhão era lotado de hortigranjeiros e flores antigamente e hoje em dia abriga muitos restaurantes e cafés
Pavilhão era lotado de hortigranjeiros e flores antigamente e hoje em dia abriga muitos restaurantes e cafés
Foto: S S Beglin / arquivo pessoalCovent garden foi palco de encontros históricos no mundo literário
Covent garden foi palco de encontros históricos no mundo literário

O nome deriva do termo do inglês arcaico Covent Gardyn, ou seja jardins do convento ali construído  em 1491. Os monges que faziam parte do Monastério da Abadia de Westminster  mantiam uma área enorme de plantação hortícola no local mas com a dissolução do monastério em 1552  a propriedade foi doada à família dos condes de Bedford que mais tarde, em 1630, determinou a construção de elegantes casarios  e uma praça pública. Covent Garden tornou-se assim sinônimo de frutas e vegetais frescos e ponto de encontro de nomes emergentes no mundo literário britânico. Hoje em dia Covent Garden continua sendo um bairro muito especial, repleto de animação, principalmente pelos  artistas de rua que transformam as áreas em torno do pavilhão central num grande teatro a céu aberto.

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalApresentações de artistas de rua animam a galera!
Apresentações de artistas de rua animam a galera!
Foto: S S Beglin / arquivo pessoalCovent Garden é sinônimo de compras
Covent Garden é sinônimo de compras

A qualquer hora do dia o bairro exala descontração com pequenas plateias que se formam em torno das apresentações de rua. A região é marcada por teatros imponentes, como o Royal Opera House, construído em 1732, e que continua até hoje sendo palco de grandes nomes das artes cênicas, ópera e balé. Para descobrir Covent Garden é preciso se perder pelas ruelas que circundam a praça principal.

Foto: S S Beglin / arquivo pessoalSeven dials
Seven dials

É preciso caminhar, observando cada detalhe das fachadas antigas até chegar no monumento 'Seven Dials' (sete ponteiros)onde sete ruas se convergem num pilar adornado por relógios solares, formando uma charmosa rotatória e ponto turístico do bairro. Seven Dials é emoldurada por palacetes centenários ligando os bairros londrinos  de Covent Garden e Soho. A ordem por aqui  é caminhar sem pressa, deixando-se contagiar pelo movimento de gente e burbuinho. O passeio continua pelas ruelas  do Neal Yard onde o clima boêmio impera com inúmeros bares,  restaurantes e lojinhas alternativas oferecendo de tudo um pouco.   No  fim de semana barraquinhas com comida de rua, preparadas na hora, completam os opções de gastronomia, além é claro dos tradicionais pubs e casas de chá espalhadas pelo distrito. A região atrai centenas de turistas diariamente, seja em busca de diversão  ou para fazer compras nas ruas lotadas. Covent Garden é um passeio delicioso, no coração  efervescente de Londres!

COMO CHEGAR - metrô linha azul  marinho (Piccadilly line) estação Covent Garden. 

ONDE COMER -  já fui em vários pubs do bairro (inclusive o Punch & Judy. foto acima, e que não foi grande coisa...). Fish & Chips do The White Lion (foto no topo) é bem bom! Para o chá ou café da tarde, uma paradinha no La Durée (eu sei, é francês! e os docinhos  irresistíveis) é obrigatória (pertinho do largo da Igreja de St Martin)

 

 

 
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Solange Silberschlag Beglin


Há 22 anos morando na Europa com meu marido inglês e nossos três filhos, adoro viajar, renovar conceitos e assimilar novas culturas. Nesta longa trajetória já morei em Roma durante quatro anos e meio, dois anos na Líbia, quatro anos em Paris, dois anos em Minsk, capital da Bielorússia, e atualmente moro em Londres. Na terra da rainha Elizabeth estão as raízes da nossa família. Entre uma mudança e outra, ao longo dos anos a bagagem cultural foi aumentando e enriquecendo a alma. Vou contar um pouco aqui neste blog justamente sobre as diferenças culturais, estilo de vida e tradições do velho continente. Vou relatar minhas viagens, sempre com várias dicas, assim como fatos interessantes e pitorescos da vida cotidiana na Europa. Viaje comigo e compartilhe aqui também a sua experiência!

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